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Ortopedia e Cirurgia da Coluna

Existem medicações para lesão medular?

Por Gustavo. 12 de abril, 2016. Comente este post

O tratamento das lesões medulares é sempre complexo. Além da chamada lesão inicial sofrida pela medula, provocada em geral por trauma, existe a cascata secundária que envolve condições bioquímicas e celulares na medula espinhal que podem piorar a lesão logo após o evento inicial. O tratamento medicamentoso pode ser utilizado tanto para diminuir os efeitos nocivos do trauma, como também para diminuir as agressões da cascata secundária.

Primeira Resposta após a lesão medular 
A lesão inicial consiste na interrupção fisiológica e estrutural dos axônios e é resultado de impacto sobre a medula. O objetivo inicial do tratamento consiste em prevenir e controlar a inflamação. A metilprednisolona é a droga de escolha nesta fase, e pode ser administrada nas primeiras horas até 48 horas do trauma. Trata-se de potente medicação sintética da classe dos corticosteroides, com propriedades anti-inflamatórias, utilizada para diminuir o edema na medula espinhal. Estudos americanos demonstraram que pacientes que fizeram uso desta medicação tiveram melhores resultados em relação a força motora dos membros inferiores. Chamou atenção entretanto, pesquisa realizada na FMUSP em 2006, sobre a aplicação da metilprednisolona em ratos após lesão medular, onde foi identificado que não houve alteração significativa entre grupos que receberam e não receberam a droga.

Condições secundárias 
Existem diversos acontecimentos após a lesão medular inicial que são chamadas de condições secundárias que envolvem hemorragia, edema significante da medula espinhal e diminuição do suprimento sanguíneo para o segmento afetado. Em seguida, células inflamatórias migram para o local lesionado, com liberação de citoquinas, eicosanóides, moléculas de adesão celular e infiltração leucocitária, caracterizando importante disfunção celular, seguida da chamada proliferação glial, com formação de uma cicatriz, processo que leva semanas. Paralelamente, ocorrem alterações sistêmicas no organismo, que incluem alterações na bexiga e intestino, problemas de pele, nutrição, entre outras.

Como tratamento das condições secundárias, a medicação mais conhecida são os gangliosídeos, que são esfingolípides capazes de estimular o crescimento dos neurônios. Inclusive, já se descobriu uma molécula, o GM 1, no Brasil vendida com o nome de SYGEN, que pode ser administrada por via venosa ou intramuscular e que consegue chegar à medula e estimular o crescimento dos neurônios, atravessando a barreira que existe entre o sangue e o sistema nervoso. Deve ser iniciado após o uso da metilpredisolona e continuado por 30-60 dias, com uso diário.

Fora isso, existem diversas drogas estão envolvidas em pesquisa, no Brasil uma mais estudada é a 4-aminopiridina, que é indicada para a fase crônica e tem a capacidade de fazer com que o impulso elétrico passe de forma adequada se os neurônios estiverem vivos, mas sem funcionar por falta de mielina (bainha que recobre os neurônios). Contudo tudo requer aprovação e comprovação científica e tais processos são longos e demorados.

Existem também os estudos envolvendo o uso de célula-tronco, embora com resultados preliminares que não são significativos, e que até o presente momento mais melhoram a qualidade de vida do que fazem o paciente realmente fazem o paciente retornar a caminhar, infelizmente.

O paciente paraplégico ou teteraplégico requer sempre atendimento multidisciplinar. A fisioterapia tem papel fundamental, o cirurgião pode identificar possíveis lesões instáveis com necessidade de estabilização cirúrgica ou descompressão neural. Mas a verdade é que não existe uma fórmula mágica para a cura do trauma raquimedular. O trabalho é ir juntando as peças de um quebra-cabeça para que a recuperação do paciente possa ser a melhor possível.

Dr. Gustavo Carriço de Oliveira

Ortopedia e cirurgia de colunsa

Florianópolis- Santa Catarina

Interessante entrevista com a médica Erika kalil da USP pode ser lida no site http://drauziovarella.com.br/entrevistas-2/lesoes-na-coluna/

 

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